GRUPOS DE LEITURA  Teilhard de Chardin

Os Grupos de Leitura Teilhard de Chardin foram criados na sequência da constituição da “Fondation Teilhard de Chardin” (Paris) e da Association des Amis de Teilhard de Chardin, que ocorreu alguns anos após a morte do pensador (1955). A publicação da sua obra iniciou-se neste mesmo ano, ainda com algumas resistências por parte da Igreja, mas a abertura que culminou no Concílio Vaticano II, tornou possível o mundo vir a conhecer a riqueza do pensamento deste cientista, filósofo e místico, considerado por muitos como o grande profeta do século XX.

Os Grupos de Leitura surgiram no âmbito das actividades das diversas associações espalhadas pelo mundo, tornaram-se espaços privilegiados de estudo e reflexão da espiritualidade de Teilhard de Chardin.

Também a nossa Associação logo desde o seu início, criou diversos grupos de leitura, quatro na área de Lisboa e um no Porto. Em todos estes anos, os grupos de leitura vieram congregando um vasto número de participantes, contribuindo, assim, para a difusão do conhecimento e do estudo do pensamento de Teilhard de Chardin no nosso país.

A actividade dos nossos GL sofreu, como tantas outras, uma paragem brusca devido a eclosão da pandemia Covid-19, só tendo vindo a ser retomada em 2021, mas por zoom. Uma reflexão realizada no seio dos Corpos Sociais da Associação levou à decisão de criar um Curso Aberto Teilhard de Chardin (fazer link para “Actividades – eventos actuais – curso aberto), com as características próximas dos GL mas permitindo uma abordagem sistematizada do conhecimento da figura, obra e legado espiritual de Teilhard de Chardin. O curso dirige-se a um público alargado de pessoas interessadas em Teilhard de Chardin, mas integra em primeira linha os antigos frequentadores dos GL. 

 

No separador Temas de Leitura (criar link para lá), poderá ser consultado o registo de muitas reflexões feitas ao longo de reuniões dos vários grupos, que constitui um rico acervo histórico desta actividade.

* LISTA DE TODAS AS LEITURAS FEITAS clique AQUI (alguns destes textos podem ser lidos no separador BIBLIOGRAFIA)

 

TEMAS DE LEITURA

Alguns apontamentos sobre as leituras feitas nos diversos grupos:

São João de Deus

  • Este grupo leu o ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «O Meu Universo», incluído no Tomo  IX das Obras Completas. Um breve flash da última reunião: Uma das passagens que mereceu mais a nossa atenção e comentários nesta reunião, é aquela em que Teilhard fala que «Deus não quis isoladamente […] o sol, a terra, as plantas, o Homem. Ele quis o seu Cristo Este pensamento, um tanto enigmático, encontra um paralelo numa conferência dada em St. Étienne, em 1985, por Claude Tresmontant (autor dum excelente livro sobre o pensamento de TC), intitulada «Le Christ dans l’Univers», em que a abordagem deste tema é muito semelhante à de Teilhard, sem, contudo, este ali ser citado. Traduzo esse pequeno excerto: «Cristo é aquele em quem e por quem a criação se completa e atinge o seu termo, a finalidade querida desde toda a eternidade. […] Porque é que Deus não realizou logo duma vez essa perfeição última, porque é que procede por etapas? […] Por uma simples razão: não é possível fazer ou criar seres vivos antes de criar um Universo físico capaz de os receber. Não é possível criar seres pensantes antes de ter criado seres vivos. Não é possível criar seres vivos sem antes ter composto a matéria física necessária para formar fisicamente os seres vivos. […] A idade do Universo não é, vista desta maneira, nem um capricho nem um acidente. […] Assim, o tamanho do Universo e a sua idade estão fisicamente ligados à aparição da vida, à aparição no Universo dum ser capaz de pensar, à aparição de Cristo no Universo. […] E, deste modo, a razão de ser do Universo é a glória do Cristo».
  • A partir de 18.06.2018, iniciou a leitura do ensaio de 1921 intitulado «Ciência e Cristo», do tomo 9 das Obras Completas. (leia o texto no separador Bibliografia – textos de Teilhard em Português
  • Este grupo tem lido ensaios de Teilhard de Chardin, alternadamente retirados das suas obras «A Minha Fé» e «Ciência e Cristo». Desta última, leu o ensaio intitulado «Salvemos a Humanidade», de 1936, em que, numa visão que pode ser de todos os tempos, Teilhard convida a ter fundamentadamente esperança no futuro da humanidade, mesmo quando as aparências possam apontar em sentidos contrários, como é ocaso nos nossos dias.
  • No ensaio «Algumas reflexões sobre a conversão do Mundo», de 1936, fala-nos Teilhard de «pan-Cristismo», que ele identifica com «a extensão ao Universo dos atributos reconhecidos ao Cristo-Rei». A propósito desta afirmação, que surpreende pela ousadia, transcreve-se a seguir algumas frases colhidas num outro ensaio de Teilhard, «Nota sobre o Cristo Universal», de 1920, onde se lê (tradução): «Entendo por Cristo Universal o Cristo centro orgânico de todo o Universo – centro orgânico, isto é, aquele de que dependem fisicamente todos os desenvolvimentos do universo inteiro … não só da Terra e da humanidade, mas também de Sírio e Andrómeda, e todas as realidades de que dependemos fisicamente; … não apenas os esforços morais e religiosos, mas todo o crescimento do corpo e do espírito. Este Cristo Universal é o que os Evangelhos nos apresentam, especialmente S. Paulo e S. João. Aquele do qual viveram os grandes místicos.» A título de exemplo, eis algumas dessas passagens do N.T. que afirmam esta identificação de Cristo (e dos seus atributos) com o Universo: Ef. I, 10: “Esse plano consiste em levar o universo à sua realização total, reunindo todas as coisas, tanto dos céus como da terra, tendo Cristo como cabeça e chefe.”; Ef. I, 19-23: “Submeteu todas as coisas à autoridade de Cristo e fez dele chefe e cabeça da igreja. A igreja é o corpo de Cristo e ele, que enche o universo inteiro, está nela em toda a sua plenitude.”; João, I, 3-4: “Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada foi criado. Nele estava a vida, e essa vida era a luz dos homens.”
  • Foi lido o ensaio «O Crístico» (link para o texto), incluído no tomo 13 das Obras Completas, O Coração da Matéria. 
  • Do artigo do Pe. Martelet sj, «Caminho Espiritual aberto por Teilhard», que foi leitura do grupo em abril 2017, retivemos a recapitulação da visão de Teilhard das actividades humanas, em contraponto com as passividades que nos moldam, tudo podendo (e devendo) contribuir para a construção do Reino de Deus em Cristo. As grandes passividades, o sofrimento e a morte, são vistas por Teilhard como etapas para o encontro final, o que é recordado neste artigo cintando as palavras de Teilhard:  «Unir-se é, em todos os casos, emigrar e morrer parcialmente naquilo que amamos. Mas se, como estamos persuadidos, esta aniquilação no Outro deve ser tanto mais completa quanto mais nos devotarmos a um maior que nós, qual não terá de ser a ruptura necessária para a nossa passagem em Deus? A Morte está encarregada de operar, até ao fundo de nós próprios, essa abertura desejada. Ela far-nos-á passar pela dissociação esperada. Ela pôr-nos-á no estado organicamente requerido para que desça sobre nós o Fogo divino. E, assim, o seu poder nefasto de decompor e de dissolver encontrar-se-á captado para a mais sublime das operações da Vida. O que, por natureza, era vazio, lacuna, regresso à pluralidade, pode tornar-se, em cada existência humana, plenitude e unidade em Deus
  • Na reunião de 08.04.2019, acabou de ler o ensaio «A minha Fé», de 1934, inserido no tomo X das Obras Completas, que leva o mesmo nome.

 

Campo Grande

  • Este grupo está a reler «O Meio Divino», que tinha sido já a leitura do grupo em 2009.
  • Na reunião do dia 09.02.2018, na leitura de «As passividades de diminuição» («Meio Divino»), registámos que, na luta com Deus contra o Mal, a mensagem de Teilhard é precisamente que, nos sofrimentos (e na morte), Deus está «do nosso lado», isto é, luta connosco para nos libertarmos de cada passividade de diminuição; mas se a nossa derrota aparente ocorre, então Deus assume-a connosco, convertendo-a em Bem (Diligentibus Deum, omnia convertuntur in bonum). «Nós parecemo-nos a esses soldados que caem no decorrer do assalto donde sairá a Paz. Deus, portanto, não fica vencido, uma primeira vez, na nossa derrota, porque, se parecemos sucumbir individualmente, o Mundo, onde reviveremos, triunfa mediante as nossas mortes».
  • A propósito de «O Meio Divino» foi comentado o seguinte texto de Teilhard:

«O Elemento Universal, finalmente, no nosso Mundo sobrenaturalizado, é Cristo, na medida em que tudo se lhe agrega e n’Ele se consuma; é a Forma viva do Verbo Incarnado, atingível e perfectível em toda a parte. […] Em toda a parte nos atrai e nos aproxima, num movimento de convergência universal para o Espírito. […] Toda a função, obra, drama, do Universo – toda a economia do progresso humano, da graça, dos Sacramentos (Eucaristia), adquirem o seu significado definitivo nesta individualização do Elemento Universal, na qual consiste a Incarnação». (“Escritos dos Tempo da Guerra”, Portugália, 1969, pág. 381).

  • Este grupo terminou a leitura de «O Meio Divino», de Teilhard de Chardin, tendo iniciado em 20.05 a do ensaio intitulado «O Meu Universo», publicado no tomo 9, «Ciência e Cristo». É o segundo texto que Teilhard escreve com este título – o primeiro foi escrito em 1918, incluído no tomo 12, «Escritos do tempo da guerra», de que aquele é um desenvolvimento. É um texto extenso, composto em 4 partes, ao longo das quais se desenvolvem capítulos como “União Criadora”, “A Animação do Mundo pelo Cristo Universal”, “A Conquista do Mundo”, “O Meio Místico”, “A História da Evolução do Mundo – passado, futuro”. A propósito deste texto, escreveu o Pe. Gustave Martelet (teólogo francês com extensa obra sobre Teilhard), na sua obra «T.C., prophète d’un Christ toujours plus grand», o seguinte: «Explicitando, à sua maneira, as prerrogativas de Cristo no Universo, Teilhard afirma simplesmente o poder cósmico de Cristo, ou seja, esse super-poder que se encontra ainda oculto e que Lhe permitirá, no final, fazer do Universo o manto da sua Glória».
  • Do II capítulo, de «O Meu Universo»RELIGIÃO. O CRISTO UNIVERSAL, leu-se a alínea  A Animação do Mundo pelo Cristo Universal. Nesta página e meia encontra-se, no fundo, toda a visão de Teilhard de Chardin quanto à Incarnação. Fala-nos ele ali do processo evolutivo que antecedeu e preparou o desabrochar da Incarnação de Jesus Cristo, mas no sentido em que nessa preparação era já o próprio Verbo quem actuava e estava presente. Assim, pode ler-se que A Incarnação do Verbo foi infinitamente mortificante e dolorosa – até ao ponto de ser simbolizada pela cruz, com isso querendo dizer que o Cristo-Homem veio dar todo o sentido e valor aos «labores» da humanidade, desde os do homem primitivo até aos dos mais espiritualizados do momento histórico da sua vinda, ou seja, de toda a humanidade passada, presente e futura, labores esses que surgem como necessários para que o Homem seja parte da construção do Reino de Deus e da vida Divina. Só assim se entende o admirável hino à lenta mas amorosa incarnação do Verbo que Teilhard tece e que remata com esta frase gloriosa: Quando o Cristo apareceu nos braços de Maria, acabava de soerguer o Mundo.

 

Rodízio

  • Este grupo terminou a leitura (em francês) do ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «Mon Univers», incluído no Tomo  IX das Obras Completas e deu início à de «Le Christique», de 1955, último escrito de Teilhard.
  • Este grupo leu (em francês) a obra de aprofundamento do pensamento de Teilhard de Chardin intitulada «Teilhard de Chardin, prophète d’un Christ toujours plus grand», da autoria do teólogo jesuíta Gustave Martelet sj.
  • O 13º capítulo tratou da visão teilhardiana da Pessoa e da sua metafísica. O subtítulo do capítulo é mesmo, recordemos, «Uma tentativa teilhardiana de génese do espírito». Percorremos os seus subcapítulos “A consciência de si”, “Estado de personalidade (anterior ao homem)”, “Centralidade e abertura da Pessoa”, “Consumação da Pessoa”, “Amor como energia de personalização” e, finalmente, os dois últimos:  “O triplo élan da Pessoa” e “O Mal residual”. Reconhecemos todos que foi um capítulo muito denso, que merece uma releitura individual reflectida. Retenho, no entanto, do último subcapítulo, o termo “Le mal du Mal” como sendo o estado de hesitação que o Homem sofre previamente à sua decisão de aderir (ou não) ao chamamento da Consciência Suprema para que abandone as “margens” e se aventure ao largo oceano do “plus grand que nous”. Hesitação essa que pode ser inerente a um estado de insuficiente reconhecimento da nossa própria transcendência já em Alpha, impeditivo da adesão definitiva a Omega “sans peur de nous y perdre”. E o meio de ultrapassar esse estado “paralisante” será, segundo o fio condutor da análise de Martelet, o reconhecimento do caminho para o “Ultra-humano”, que Teilhard propõe como abertura final em Ómega, de que tratará o capítulo 14. Apenas como “aperitivo” à leitura deste substancial capítulo 14 repito aqui a interrogação com que Martelet o abre e que como que recapitula tudo o que abordou no capítulo precedente: «Si, […] la “molécule humaine” comme conscience de soi hésite à se jeter dans les bras d’Oméga par manque de transcendance en Alpha, l’Ultra-Humain dans l’état actuel de la Noosphère, ne représente-t-il pas pour elle le niveau d’amorisation et d’unanimité qui peut et doit la conduire, irrésistiblement, à son terme? (sublinhados meus)».
  • Do 14º capítulo (L’Ultra-Humain, pág. 179) e do primeiro subcapítulo, La Matière et l’Esprit, destaca-se a afirmação de Teilhard «suivant son vrai sens, la Matière, au lieu de s’ultra-matérialiser, se métamorphosait au contraire irrésistiblement en Psyché» (forme préparatoire de l’Esprit, conforme comenta Martelet). Quase a completar este pensamento, no 2º subcapítulo pudemos ler em Martelet, interpretando o pensamento de Teilhard, que «la conscience animale , qui n’a pas cessé de monter dans la lignée des Primates et dans celle des Australopithéidés, a créé, sans le savoir, les conditions dans lequelles l’être humain a pu apparaître». Sobre a Noosphère, diz-nos ainda Martelet que «La véritable identité de la Noosphère, c’est donc l’humanité elle-même en tant qu’elle est la responsable des corrélations innombrables qui doivent humaniser la Terre». Percorremos, assim, a concepção evolucionista de Teilhard da génese do ser humano («super-évolution humaine»), conduzindo-nos à sua noção de Ultra-Humain, i.e., «que l’étreinte totalisante à laquelle nous sommes soumis ait pour conséquence, non point de nous déshumaniser par mécanisation, mais de nous sur-humaniser, par intensification de nos puissances de comprendre et d’aimer». Foi muito discutida entre os membros do grupo esta visão «optimista» de Teilhard quanto ao êxito final do processo da evolução (espiritual e material) da humanidade, tendo sido avaliada a aparente incompatibilidade dela com o estado actual do Mundo. Recordámos, contudo, que Teilhard traça esta marcha da humanidade na base da sua observação do «Fenómeno Humano», mas no seu próprio livro que tem este título não deixa de advertir que o Homem, no uso colectivo da liberdade, pode acabar por escolher caminhos que levem ao seu recuo.  O capítulo termina com uma afirmação de esperança em todo este processo: «Alors, sans crainte de se leurrer lui-même – puisqu’il aura découvert sa transcendance structurellement relationelle à Dieu – l’être humain pourra se jeter dans les bras d’Oméga, c’est-à-dire dans les bras du Christ universel, et découvrir ainsi par Lui ce que Teilhard appella “une nouvelle face de Dieu”».
  • Este grupo terminou a leitura (em francês) do ensaio de Teilhard, de 1955, intitulado «Le Christique», incluído no Tomo XIII das Obras Completas. É o último escrito de Teilhard, considerado o seu testamento espiritual. Entretanto, fez a leitura (em francês) do ensaio de 1951 (Paris), intitulado «Un seuil mental sous nos pas: du Cosmos à la Cosmogenèse», incluído no Tomo VII das Obras Completas, que terminou a 27.07. Na última reunião concluiu a leitura (em francês) do ensaio de Teilhard «Esquisse d’une dialectique de l’esprit”, de 1946, que constitui uma auto-apresentação da sua apologética, baseada na sua visão cristológica da criação do universo. Este texto vem citado na pág. 66 do livro “Em Outras Palavras”, com uma nota do autor da colectânea, Jean-Pierre Demoulin, em que nos diz que nele “Teilhard explicou, com uma clareza surpreendente, os diferentes procedimentos dessa apologética” (ver nota abaixo do grupo Brotéria). Na passada reunião, de 16.01.2020, iniciou a leitura da versão portuguesa da obra de Claude Tresmontant, «Tudo o que sobre converge – introdução ao pensamento de Teilhard de Chardin». 

 

Academia das Ciências de Lisboa

  • Este grupo, que foi formado na sequência do curso Teilhard de Chardin que se realizou na Academia das Ciências, em fevereiro de 2017, por iniciativa conjunta da AAPTCP e do Instituto Adriano Moreira, tem estado a ler a versão portuguesa de «Je m’Explique», colectânea organizada por Jean-Pierre Demoulin, nos anos 60, com a intenção de proporcionar uma panorâmica geral e sistematizada do pensamento místico e filosófico de Teilhard de Chardin. A versão em português que tem sido utilizada é a da editora Martins Fontes, de São Paulo, Brasil, 2006, cujo título é «Em Outras Palavras».

Desde janeiro de 2019, este grupo passou a reunir nas instalações da Brotéria (rua Maestro António Taborda, 14, 1249-094 Lisboa), por proposta do seu director, Pe. Vasco Pinto de Magalhães, o que foi acolhido pelo grupo com grande satisfação. Efectivamente, o horário possível na Academia das Ciências (15-17h) limitava muito a possibilidade de participação pelos membros do grupo que têm actividades profissionais. Na Brotéria, sendo possível praticar um horário pós-laboral (18-20h), tem o grupo reunido com um número superior de membros.

  • Este grupo passou a reunir nas novas instalações da BROTÉRIA, (rua do Grémio Lusitano, 3, ao Bairro Alto, Lisboa). Ali continua a leitura que tem estado a fazer da versão portuguesa de «Je m’Explique», colectânea organizada por Jean-Pierre Demoulin, nos anos 60, com a intenção de proporcionar uma panorâmica geral e sistematizada do pensamento místico e filosófico de Teilhard de Chardin. A versão em português que tem sido utilizada é a da editora Martins Fontes, de São Paulo, Brasil, 2006, cujo título é «Em Outras Palavras».

 

 

Porto

  • Este grupo iniciou a leitura do ensaio de 1921, intitulado «Ciência e Cristo ou Análise e Síntese»
  • Antes tinha feito a leitura do ensaio de Teilhard, de 1955, intitulado «O Crístico», incluído no Tomo XIII das Obras Completas. É o último escrito de Teilhard, considerado o seu testamento espiritual.
  • Tinha feito igualmente a leitura do ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «O Meu Universo» (ver notas de leitura criar link), incluído no Tomo IX das Obras Completas. Este final de leitura suscitou o seguinte comentário aqui resumido por um dos membros do grupo: «Comentámos também a passagem que mereceu a atenção do grupo de Lisboa, considerando que ela documenta um dos pressupostos charneira do pensamento teilhardiano: trata-se de uma abordagem resultante da confluência da sua dimensão de cientista, teólogo e místico. Consideramos que, embora as suas intuições científicas se tenham revelado impressionantemente certeiras, como se veio a provar com os dados mais recentes da Ciência, assentam num pressuposto otimista relativamente a «uma Criação levada ao paroxismo de suas aptidões à União» (pag 84), que terá de ser mitigado, se tivermos em conta que as últimas décadas fazem avolumar a possibilidade real de uma catástrofe universal. Trata-se, quanto aos presentes, de um otimismo que releva apenas dos dados da fé, iluminados pelo pano de fundo da leitura bíblica acerca dos últimos tempos. Percebem-se no enunciado de Teilhard certas apropriações das categorias escatológicas do «Apocalipse», quanto ao seu alcance teleológico. No Apocalipse, a perturbadora revelação dos sinais do fim dos tempos é apresentada como o prelúdio do começo da eternidade, vislumbrada com vinda da figura do «Filho do Homem» sobre as nuvens. Parece ser essa ressonância bíblica que é convocada no texto de Teilhard, designadamente no último parágrafo da página 84, ao antever-se que «o Cristo universal há de jorrar como um relâmpago no seio das nuvens do Mundo», num desfecho que anuncia «irrevogavelmente a maturação total das Coisas e a implacável irreversibilidade de toda a História». Trata-se, pois, da posição de um cientista que cede lugar a pontos de vista assentes mais em dados da revelação bíblica do que em certezas científicas. Embora afirme que «existe um sentido das coisas», que «avançamos» e «progredimos» (pag 81), assim procurando esconjurar «o absurdo que consistiria em prosseguir uma obra humana sem futuro», também não deixa de referir que a Humanidade está «ameaçada de perigos coletivos» e que o Pleroma é sempre uma «realidade misteriosa».
  • O final do 2º capítulo da 2ª Parte de «O Meio Divino» contém uma oração consagrando o esforço e a aceitação em relação ao que nos rodeia e vem ao nosso encontro, cujo fecho reza:

«Cada uma das nossas vidas é, por assim dizer, entrelaçada entre dois fios: o fio do desenvolvimento interior ao longo do qual se formam gradualmente as nossas ideias, afeições, atitudes humanas e místicas; e o fio do êxito exterior, segundo o qual nos encontramos, a cada momento, no ponto preciso aonde convergirá, para produzir em nós o efeito esperado de Deus, o conjunto das forças do Universo. Meu Deus, para que a todo o instante vós me encontreis tal como me desejais, e onde me esperais, isto é, para que vós me possuais plenamente, – por fora e por dentro de mim mesmo, – fazei que este duplo fio da minha vida eu o não rompa jamais.»

  • Este grupo, depois de terminar a leitura do ensaio de Teilhard, de 1955, intitulado «O Crístico», incluído no Tomo XIII das Obras Completas, fez a do ensaio «O que o mundoespera neste momento da Igreja de Deus», escrito em Nova Iorque em 1952 e incluído no Tomo X das Obras Completas. Entretanto leu o ensaio de 1921, intitulado «Ciência e Cristo ou Análise e Síntese» e no remate deste ensaio, retivemos a frase/chave de Teilhard, que, de certo modo, traduz o sentido de todo o labor da sua vida de padre e cientista: «É inútil opor a Ciência e o Cristo ou separá-los como dois domínios estranhos um ao outro. A Ciência, sozinha, não pode descobrir a Cristo – mas o Cristo sacia os anseios que nascem em nosso coração na Escola da Ciência». O teólogo Gérard-Henry Baudry, na sua obra de 1971 «Ce que croyait Teilhard» (Maison Mame, Tours), fala-nos da construção da visão de Teilhard sobre este assunto, afirmando (pág. 94, trad.): «Teilhard não passou da Ciência à Fé, mas da Fé à Ciência. É depois disso que ele estabelecerá um vai-e-vem, um diálogo permanente entre a Ciência e a Fé. Isto é de tal maneira verdade que não é a evolução que permite compreender a Incarnação, mas ao contrário, é a Incarnação que confere o seu sentido à evolução». Na próxima reunião continuará a abordagem do ensaio «Cristologia e Evolução», de Teilhard de Chardin, redigido em Tien-Tsin em 1933. Trata-se dum texto muito bem sistematizado, que permite recapitular a sua grande visão crística.