Temas de Leitura

* LISTA DE TODAS AS LEITURAS FEITAS clique AQUI  (leia os textos      no separador BIBLIOGRAFIA)

* Alguns apontamentos sobre as leituras feitas nos diversos grupos:

 

São João de Deus

  • Este grupo acabou de ler o ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «O Meu Universo», incluído no Tomo  IX das Obras Completas. Um breve flash da última reunião: Uma das passagens que mereceu mais a nossa atenção e comentários nesta reunião, é aquela em que Teilhard fala que «Deus não quis isoladamente […] o sol, a terra, as plantas, o Homem. Ele quis o seu Cristo Este pensamento, um tanto enigmático, encontra um paralelo numa conferência dada em St. Étienne, em 1985, por Claude Tresmontant (autor dum excelente livro sobre o pensamento de TC), intitulada «Le Christ dans l’Univers», em que a abordagem deste tema é muito semelhante à de Teilhard, sem contudo este ali ser citado. Traduzo esse pequeno excerto: «Cristo é aquele em quem e por quem a criação se completa e atinge o seu termo, a finalidade querida desde toda a eternidade. […] Porque é que Deus não realizou logo duma vez essa perfeição última, porque é que procede por etapas? […] Por uma simples razão: não é possível fazer ou criar seres vivos antes de criar um Universo físico capaz de os receber. Não é possível criar seres pensantes antes de ter criado seres vivos. Não é possível criar seres vivos sem antes ter composto a matéria física necessária para formar fisicamente os seres vivos. […] A idade do Universo não é, vista desta maneira, nem um capricho nem um acidente.[…] Assim, o tamanho do Universo e a sua idade estão fisicamente ligados à aparição da vida, à aparição no Universo dum ser capaz de pensar, à aparição de Cristo no Universo. […] E, deste modo, a razão de ser do Universo é a glória do Cristo».
  • A partir da próxima reunião, no dia 18.06.2018, iniciará a leitura do ensaio de 1921 intitulado «Ciência e Cristo», do tomo 9 das Obras Completas. (leia o texto no separador Bibliografia – textos de Teilhard em Português
  • Este grupo leu ensaios de Teilhard de Chardin, alternadamente retirados das suas obras «A Minha Fé» e «Ciência e Cristo». Desta última, leu o ensaio intitulado «Salvemos a Humanidade», de 1936, em que, numa visão que pode ser de todos os tempos, Teilhard convida a ter fundamentadamente esperança no futuro da humanidade, mesmo quando as aparências possam apontar em sentidos contrários, como é ocaso nos nossos dias.
  • No ensaio «Algumas reflexões sobre a conversão do Mundo», de 1936, fala-nos Teilhard de «pan-Cristismo», que ele identifica com «a extensão ao Universo dos atributos reconhecidos ao Cristo-Rei». A propósito desta afirmação, que surpreende pela ousadia, transcreve-se a seguir algumas frases colhidas num outro ensaio de Teilhard, «Nota sobre o Cristo Universal», de 1920, onde se lê (tradução): «Entendo por Cristo Universal o Cristo centro orgânico de todo o Universo – centro orgânico, isto é, aquele de que dependem fisicamente todos os desenvolvimentos do universo inteiro … não só da Terra e da humanidade, mas também de Sírio e Andrómeda, e todas as realidades de que dependemos fisicamente; … não apenas os esforços morais e religiosos, mas todo o crescimento do corpo e do espírito. Este Cristo Universal é o que os Evangelhos nos apresentam, especialmente S. Paulo e S. João. Aquele do qual viveram os grandes místicos.» A título de exemplo, eis algumas dessas passagens do N.T. que afirmam esta identificação de Cristo (e dos seus atributos) com o Universo:
    Ef. I, 10: “Esse plano consiste em levar o universo à sua realização total, reunindo todas as coisas, tanto dos céus como da terra, tendo Cristo como cabeça e chefe.”; Ef. I, 19-23: “Submeteu todas as coisas à autoridade de Cristo e fez dele chefe e cabeça da igreja. A igreja é o corpo de Cristo e ele, que enche o universo inteiro, está nela em toda a sua plenitude.”; João, I, 3-4: “Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada foi criado. Nele estava a vida, e essa vida era a luz dos homens.”
  • Foi lido o ensaio «O Crístico», incluído no tomo 13 das Obras Completas, O Coração da Matéria. (LER ESTE TEXTO NA PÁGINA «TEXTOS TEMÁTICOS»)

  • Do artigo do Pe. Martelet «Caminho Espiritual aberto por Teilhard», que foi em leitura em abril 2017, retivemos a recapitulação da visão de Teilhard das actividades humanas, em contraponto com as passividades que nos moldam, tudo podendo (e devendo) contribuir para a construção do Reino de Deus em Cristo. As grandes passividades, o sofrimento e a morte, são vistas por Teilhard como etapas para o encontro final, o que é recordado neste artigo cintando as palavras de Teilhard:  «Unir-se é, em todos os casos, emigrar e morrer parcialmente naquilo que amamos. Mas se, como estamos persuadidos, esta aniquilação no Outro deve ser tanto mais completa quanto mais nos devotarmos a um maior que nós, qual não terá de ser a ruptura necessária para a nossa passagem em Deus? A Morte está encarregada de operar, até ao fundo de nós próprios, essa abertura desejada. Ela far-nos-á passar pela dissociação esperada. Ela pôr-nos-á no estado organicamente requerido para que desça sobre nós o Fogo divino. E, assim, o seu poder nefasto de decompor e de dissolver encontrar-se-á captado para a mais sublime das operações da Vida. O que, por natureza, era vazio, lacuna, regresso à pluralidade, pode tornar-se, em cada existência humana, plenitude e unidade em Deus.

Campo Grande

  • Este grupo está a reler «O Meio Divino», que foi já a leitura do grupo em 2009.
  • Na reunião do dia 09.02.2018, na leitura de «As passividades de diminuição» («Meio Divino»), registámos que, na luta com Deus contra o Mal, a mensagem de Teilhard é precisamente que, nos sofrimentos (e na morte), Deus está «do nosso lado», isto é, luta connosco para nos libertarmos de cada passividade de diminuição; mas se A nossa derrota aparente ocorre, então Deus assume-a connosco, convertendo-a em Bem (Diligentibus Deum, omnia convertuntur in bonum»: «Nós parecemo-nos a esses soldados que caem no decorrer do assalto donde sairá a Paz. Deus, portanto, não fica vencido, uma primeira vez, na nossa derrota, porque, se parecemos sucumbir individualmente, o Mundo, onde reviveremos, triunfa mediante as nossas mortes».
  • A propósito de «O Meio Divino» foi comentado o seguinte texto de Teilhard:
    O Elemento Universal, finalmente, no nosso Mundo sobrenaturalizado, é Cristo, na medida em que tudo se lhe agrega e n’Ele se consuma; é a Forma viva do Verbo Incarnado, atingível e perfectível em toda a parte. […] Em toda a parte nos atrai e nos aproxima, num movimento de convergência universal para o Espírito. […] Toda a função, obra, drama, do Universo – toda a economia do progresso humano, da graça, dos Sacramentos (Eucaristia), adquirem o seu significado definitivo nesta individualização do Elemento Universal, na qual consiste a Incarnação. (“Escritos dos Tempo da Guerra”, Portugália, 1969, pág. 381).

Rodízio

  • Este grupo terminou a leitura (em francês) do ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «Mon Univers», incluido no Tomo  IX das Obras Completas e prepara-se para dar início a «Le Christique», de 1955, último escrito de Teilhard.
  • Este grupo leu (em francês) a obra de aprofundamento do pensamento de Teilhard de Chardin intitulada «Teilhard de Chardin, prophète d’un Christ toujours plus grand», da autoria do teólogo jesuíta Gustave Martelet.
  • O 13º capítulo  tratou da visão teilhardiana da Pessoa e da sua metafísica. O subtítulo do capítulo é mesmo, recordemos, «Uma tentativa teilhardiana de génese do espírito». Percorremos os seus subcapítulos “A consciência de si”, “Estado de personalidade (anterior ao homem)”, “Centralidade e abertura da Pessoa”, “Consumação da Pessoa”, “Amor como energia de personalização” e, finalmente, os dois últimos que ontem lemos :  “O triplo élan da Pessoa” e “O Mal residual”. Reconhecemos todos que foi um capítulo muito denso, que merece uma releitura individual reflectida. Retenho, no entanto, do último subcapítulo, o termo “Le mal du Mal” como sendo o estado de hesitação que o Homem sofre previamente à sua decisão de aderir (ou não) ao chamamento da Consciência Suprema para que abandone as “margens” e se aventure ao largo oceano do “plus grand que nous”. Hesitação essa que pode ser inerente a um estado de insuficiente reconhecimento da nossa própria transcendência já em Alpha, impeditivo da adesão definitiva a Omega “sans peur de nous y perdre”. E o meio de ultrapassar esse estado “paralisante” será, segundo o fio condutor da análise de Martelet, o reconhecimento do caminho para o “Ultra-humano”, que Teilhard propõe como abertura final em Ómega, de que tratará o capítulo 14. Apenas como “aperitivo” à leitura deste substancial capítulo 14 repito aqui a interrogação com que Martelet o abre e que como que recapitula tudo o que abordou no capítulo precedente: «Si, […] la “molécule humaine” comme conscience de soi hésite à se jeter dans les bras d’Oméga par manque de transcendance en Alpha, l’Ultra-Humain dans l’état actuel de la Noosphère, ne représente-t-il pas pour elle le niveau d’amorisation et d’unanimité qui peut et doit la conduire, irrésistiblement, à son terme? (sublinhados meus)».
  • Do 14º capítulo (L’Ultra-Humain, pág. 179)    Do primeiro subcapítulo, La Matière et l’Esprit, destaca-se a afirmação de Teilhard «suivant son vrai sens, la Matière, au lieu de s’ultra-matérialiser, se métamorphosait au contraire irrésistiblement en Psyché» (forme préparatoire de l’Esprit, conforme comenta Martelet). Quase a completar este pensamento, no 2º subcapítulo pudemos ler em Martelet, interpretando o pensamento de Teilhard, que «la conscience animale , qui n’a pas cessé de monter dans la lignée des Primates et dans celle des Australopithéidés, a créé, sans le savoir, les conditions dans lequelles l’être humain a pu apparaître». Sobre a Noosphère, diz-nos ainda Martelet que «La véritable identité de la Noosphère, c’est donc l’humanité elle-même en tant qu’elle est la responsable des corrélations innombrables qui doivent humaniser la Terre». Percorremos, assim, a concepção evolucionista de Teilhard da génese do ser humano («super-évolution humaine»), conduzindo-nos à sua noção de Ultra-Humain, i.e., «que l’étreinte totalisante à laquelle nous sommes soumis ait pour conséquence, non point de nous déshumaniser par mécanisation, mais de nous sur-humaniser, par intensification de nos puissances de comprendre et d’aimer». Foi muito discutida entre os membros do grupo esta visão «optimista» de Teilhard quanto ao êxito final do processo da evolução (espiritual e material) da humanidade, tendo sido avaliada a aparente incompatibilidade dela com o estado actual do Mundo. Recordámos, contudo, que Teilhard traça esta marcha da humanidade na base da sua observação do «Fenómeno Humano», mas no seu próprio livro que tem este título não deixa de advertir que o Homem, no uso colectivo da liberdade, pode acabar por escolher caminhos que levem ao seu recuo.  O capítulo termina com uma afirmação de esperança em todo este processo: «Alors, sans crainte de se leurrer lui-même – puisqu’il aura découvert sa transcendance structurellement relationelle à Dieu – l’être humain pourra se jeter dans les bras d’Oméga, c’est-à-dire dans les bras du Christ universel, et découvrir ainsi par Lui ce que Teilhard appella “une nouvelle face de Dieu”»..

Academia das Ciências de Lisboa

  • Este grupo, que foi formado na sequência do curso Teilhard de Chardin que se realizou na Academia das Ciências, em fevereiro de 2017, por iniciativa conjunta da AAPTCP e do Instituto Adriano Moreira, tem estado a ler a versão portuguesa de «Je m’Explique», colectânea organizada por Jean-Pierre Demoulin, nos anos 60, com a intenção de proporcionar uma panorâmica geral e sistematizada do pensamento místico e filosófico de Teilhard de Chardin. A versão em português que tem sido utilizada é a da editora  Martins Fontes, de São Paulo, Brasil, 2006, cujo título é «Em Outras Palavras».

Porto

  • Este grupo começou a leitura (em francês) do ensaio de Teilhard, de 1955, intitulado «Le Christique», incluído no Tomo XIII das Obras Completas. É o último escrito de Teilhard, considerado o  seu testamento espiritual.
  • Antes, tinha terminado a leitura do ensaio de Teilhard, de 1924, intitulado «O Meu Universo», incluído no Tomo  IX das Obras Completas. Este final de leitura suscitou o seguinte comentário aqui resumido por um dos membros do grupo:«Comentámos também a passagem que mereceu a atenção do grupo  de Lisboa, considerando que ela documenta um dos pressupostos charneira do pensamento teillardiano: trata-se de uma abordagem resultante da confluência da sua dimensão de cientista, teólogo e místico. Consideramos que, embora as suas intuições científicas se tenham revelado impressionantemente certeiras, como se veio a provar com os dados mais recentes da Ciência, assentam num pressuposto otimista relativamente  a «uma Criação levada ao paroxismo de suas aptidões à União» (pag 84), que terá de ser mitigado, se tivermos em conta que as últimas décadas fazem avolumar a possibilidade real de uma catástrofe universal. Trata-se, quanto aos presentes, de um otimismo que releva apenas dos dados da fé, iluminados pelo pano de fundo da leitura bíblica acerca dos últimos tempos. Percebem-se no enunciado de Teilhard certas apropriações das categorias escatológicas do «Apocalipse», quanto ao seu alcance teleológico. No Apocalipse, a perturbadora revelação dos sinais do fim dos tempos é apresentada como o prelúdio do começo da eternidade, vislumbrada com vinda da figura do «Filho do Homem» sobre as nuvens. Parece ser essa ressonância bíblica que é convocada no texto de Teillard,  designadamente no último parágrafo da página 84, ao antever-se que «o Cristo universal há de jorrar como um relâmpago no seio das nuvens do Mundo», num desfecho que anuncia «irrevogavelmente a maturação total das Coisas e a implacável irreversibilidade de toda a História». Trata-se, pois, da posição de um cientista que cede lugar a pontos de vista assentes mais em dados da revelação bíblica do que em certezas científicas. Embora afirme que «existe um sentido das coisas», que «avançamos» e «progredimos» (pag 81), assim  procurando esconjurar «o absurdo que consistiria em prosseguir uma obra humana sem futuro», também não deixa de referir que a Humanidade está «ameaçada de perigos coletivos» e que o Pléroma é sempre uma «realidade misteriosa».
  • O final do 2º capítulo da 2ª Parte de «O Meio Divino» contém uma oração consagrando o esforço e a aceitação em relação ao que nos rodeia e vem ao nosso encontro, cujo fecho reza:
    «Cada uma das nossas vidas é, por assim dizer, entrelaçada entre dois fios: o fio do desenvolvimento interior ao longo do qual se formam gradualmente as nossas ideias, afeições, atitudes humanas e místicas; e o fio do êxito exterior, segundo o qual nos encontramos, a cada momento, no ponto preciso aonde convergirá, para produzir em nós o efeito esperado de Deus, o conjunto das forças do Universo. Meu Deus, para que a todo o instante vós me encontreis tal como me desejais, e onde me esperais, isto é, para que vós me possuais plenamente, – por fora e por dentro de mim mesmo, – fazei que este duplo fio da minha vida eu o não rompa jamais.»