GRUPOS DE LEITURA  Teilhard de Chardin

Os Grupos de Leitura Teilhard de Chardin, hoje espalhados pelo mundo, foram criados na sequência da constituição da “Fondation Teilhard de Chardin” (Paris) e da  Association des Amis de Teilhard de Chardin, que ocorreu alguns anos após a morte do pensador (1955). A publicação da sua obra iniciou-se neste mesmo ano, ainda com algumas resistências por parte da Igreja, mas a abertura que culminou no Concílio Vaticano II, tornou possível o mundo vir a conhecer a riqueza do pensamento deste cientista, filósofo e místico, considerado por muitos como o grande profeta do século XX.

O jesuíta Pierre Teilhard de Chardin, paleontólogo e geólogo, nasceu em Clermont-Férrand (Auvergne-França) em 1881 e morreu em Nova Iorque em 1955. A sua vida, tanto como grande cientista em comunhão com o Mundo, quanto como grande místico em comunhão com Cristo, foi iluminada pela descoberta da evolução do universo e desenrolou-se num esforço constante de unificação destes dois pólos.  A sua cosmovisão leva-o a enunciar a lei da complexidade/consciência, segundo a qual a evolução do Mundo se realiza na rota de uma cada vez mais intensa espiritualização até ao surgimento da Humanidade, ela mesma a forma mais elevada da complexidade do espírito.  Assim, a Humanidade constitui a flecha duma evolução que converge para um ponto de plenitude espiritual, a que ele chama Ponto Ómega, daí resultando uma espiritualidade vigorosa, que ilumina o quotidiano, crê no futuro e dá o gosto pela vida.

Os Grupos de Leitura têm sido, por excelência, lugares de sementeira e enraizamento da espiritualidade de Teilhard de Chardin, olhado como um mestre espiritual de que o nosso tempo tem necessidade para compreender, acolher e servir este mundo, novo e angustiante certamente, mas também apaixonante e atraente, nascendo e crescendo todos os dias tão vertiginosamente sob os nossos olhos.  A frequentação partilhada deste pensamento, tanto na sua vertente científica como na espiritual, constitui um estímulo ao gosto pela vida porque leva à descoberta das justificações para esse gosto.  É o coração e a razão reconciliados pelo apelo urgente da Terra a unir-se para crescer.

Crentes e não crentes interessam-se pelo pensamento de Teilhard de Chardin e incorporam Grupos de Leitura indiferenciadamente. A leitura de Teilhard, talvez difícil de início, não exige conhecimentos científicos profundos, mas requer uma aprendizagem que rapidamente desemboca numa aventura intelectual e espiritual fecunda:

Ler Teilhard interpela, universaliza e exorta à procura.  Esta leitura desperta a nossa sensibilidade para as forças cósmicas que brotam da cosmogénese.

Ajuda a compreender e a acolher com alegria o processo de globalização em curso.  Educa a descobrir e valorizar os lados positivos – germes de futuro – dos seres e dos acontecimentos, o que conduz à boa-vontade e a uma orientação positiva da acção.

Faz-nos descobrir a alma dos seres na exaltação da singularidade dos seus laços com o Todo.

Desenvolve o sentimento de pertença íntima ao corpo vivo do Universo e liberta do totalitarismo do Ego.

Estimula ao empenhamento na acção, ao gosto pela vida e incita a sermos melhores, não numa atitude individualista mas para melhor nos inscrevermos no esforço de Crescimento do mundo.

Na sua vertente espiritual, o pensamento de Teilhard de Chardin enraíza-se em S. Paulo e em S. João Evangelista, para de seguida reconhecer a figura cósmica do próprio Cristo da Encarnação na hipótese científica da existência dum motor de atracção Ómega para a evolução.  Para os que são cristãos, o pensamento de Teilhard de Chardin dá relevo, sentido e calor à Encarnação de Cristo.  «Deus amou de tal maneira o Mundo …» que encarnou nele a fim de o elevar até Si !  Cosmogénese = Cristogénese !  O Deus do Amor é, assim, na sua Encarnação, um Deus sofrendo as desarmonias do mundo, e o seu corpo, longe ainda do seu acabamento mas ao qual ele dá já um sentido, abre-se na esperança e no desejo de contribuir para o esforço de ‘amorização ‘ da Terra.

Formação de grupos:

Desde 2006, funcionam em Portugal 4 grupos de leitura: três em Lisboa (Paróquias de São João de Deus e Campo Grande, Casa de Retiros do Rodízio, Colares) e um no Porto, no CREU (Centro de Reflexão e Encontro Universitário, Companhia de Jesus).

Os grupos têm em média 10-12 pessoas cada, de preferência contando entre si alguém que esteja já algo familiarizado com o pensamento de Teilhard de Chardin.   Reúnem uma vez por mês (excepto em Agosto), durante umas duas horas.  Para cada reunião é escolhida previamente uma leitura de textos de Teilhard de Chardin ou de alguma obra sobre o seu pensamento. Na reunião é feita a leitura oral das sucessivas partes do textos, pelos participantes à vez. Estabelece-se informalmente o diálogo aberto acerca dos conteúdos lidos e reflectidos por cada um. A data da reunião seguinte é marcada no final, assim como a leitura a preparar.

Há total abertura à entrada no grupo de novos elementos, que serão integrados naturalmente através da sua observação e progressiva integração. A participação nos grupos de leitura é gratuita e não implica a filiação na AAPTCP.

Próximas reuniões dos diversos grupos e respectivas leituras:

São João de Deus (21:00h) próximas reuniões : 08.05  19.06  17.07  18.09  16.10  13.11  11.12.2017 (este grupo marca no princípio do ano as reuniões para o ano todo)

Este grupo tem estado a ler diversos textos relacionados com o pensamento de Teilhard: 1) um artigo do Pe. Gustave Martelet «Caminho Espiritual aberto por Teilhard», «O joelho de Lucy», do paleontólogo Yves Coppens, «Os saltos quânticos: entre o natural e o sobrenatural?», do físico de partículas Lothar Schäfer e «A Criação é informação e união», do oncologista francês Jacques Séverin Abbatucci. Na reunião do passado dia 10.04 o grupo contou com a participação do Pedro Silva, doutor em Física de Partículas, filho da Cristina Castro, um dos membros do grupo. O Pedro, cientista trabalhando há mais de 10 anos no CERN, introduziu-nos na fascinante aventura daquele mundo de partículas cuja natureza, como também o diz Lothar Schäfer, «se assemelha a um espírito». Na próxima reunião do grupo, a 08.05, far-se-á a releitura de  «Os saltos quânticos: entre o natural e o sobrenatural?», agora a uma luz mais informada sobre o alcance científico de algumas reflexões ali contidas.

Campo Grande (20:30h) próxima reunião:  29.05.2017

Este grupo está a reler «O Meio Divino», que foi já a leitura do grupo em 2009.

Realizámos, na passada 5ª f, 26.04, a nossa reunião, em que continuámos a leitura de «As passividades de diminuição» («Meio Divino»), capítulo c) «A comunhão pela diminuição». Sobressaiu a noção de que abordámos um dos textos mais espirituais de Teilhard, com a sua visão de integração total da vida, em Cristo, com a morte no mesmo Cristo, Ele, que, através das nossas actividades e passividades, nos coloca em condições de transformar a maior das passividades, a morte, na vida autêntica por nós esperada:

«Era-me agradável, meu Deus, no meio do esforço, sentir que, ao desenvolver-me a mim mesmo, eu aumentava o domínio que tendes sobre mim. […] Fazei que, depois de ter descoberto a alegria de utilizar todo o crescimento para  vos fazer, ou para vos deixar crescer em mim, eu tenha acesso a essa derradeira fase da comunhão, no decurso da qual eu vos possua ao ficar diminuído em Vós».

Das nossas reflexões sobressaiu a noção de que quase poderíamos fazer deste pensamento uma profissão de fé: a construção das nossas vidas está directamente relacionada com o domínio de Cristo sobre nós (dependendo de nós intensificar esse domínio!); o nosso esforço faz com que Cristo cresça em nós e, assim, Ele cresce no seu todo (Cristogénese!); o final deste «processo» é Cristo vir a dominar totalmente em nós, na derradeira fase da comunhão com Ele, ou seja, na passagem da Morte (aí «diminuímo-nos» em Cristo porque nos unimos ao que é o Maior de Tudo, mas conservando a identidade da nossa Pessoa).

Rodízio (21:30h, próxima reunião): 11.05.2017

Este grupo continua a ler (em francês)  «Le Christique», última obra produzida por Teilhard, um mês antes da morte, e que é considerada o seu testamento espiritual.

Porto (15:00h) próxima reunião: 14.05.2017

Este grupo, depois de ter terminado a leitura  de «O Meio Divino», leu «O Deus da Evolução» (1953), do volume «Comment je crois» e, na próxima reunião de 14.05, iniciará a leitura, a partir do mesmo volume, do ensaio  «O Cristo Evolutor», de 1942.

Tendo vindo, numa das anteriores reuniões, à discussão a questão do Modernismo, ocorre o seguinte comentário:

Modernismo católico (Enciclopédia Verbo)
Definição: «Movimento desencadeado dentro da Igreja Católica, na viragem do séc. XIX para o séc. XX, em ordem a adaptar a doutrina e as estruturas do catolicismo às tendências do pensamento contemporâneo». Segundo a mesma fonte, «[os modernistas] deixaram-se facilmente seduzir pela miragem de “repensar” todo o Cristianismo a partir de uma nova concepção da religião, da revelação, da fé e do dogma». Segundo o autor deste mesmo artigo (J. A. de Sousa), «[no modernismo] nem tudo é condenável; por detrás do erro, esconde-se boa dose de verdade. Os modernistas […] pressentiram o desfasamento entre a teologia e a cultura contemporânea, mas faltou-lhes o equilíbrio necessário para evitar extremismos na formulação do seu pensamento».
O Modernismo e os Modernistas foram formalmente condenados pelo Santo Ofício e pela encíclica de Pio X, Pascendi, de 1907, impondo-se, por ordem papal, a partir de 1910, um juramento antimodernista a todos os candidatos ao sacerdócio. O próprio Teilhard de Chardin teve igualmente que assinar o dito juramento. Mas Teilhard, que não se reconhecia um «modernista» e se distanciou das concepções mais radicais do movimento, situava-se, como não podia deixar de ser, na linha de muitas das suas ideias, que não só eram aspirações razoáveis para quem desejava ver uma renovação na Igreja, como vieram a ser discutidas e algumas delas assumidas em constituições do Concílio Vaticano II. Gustave Martelet, referindo-se à fidelidade proverbial de Teilhard à Igreja, diz (“T.C. prophète d’un Christ toujours plus grand”, Lessius, Bruxelas, 2015, p. 24/25) que ele a definia como Ecclesia quaerens, isto é, «como Igreja em busca dum melhor testemunho sobre o Cristo, o Mundo e o Homem». E, recordando-nos as próprias palavras de Teilhard: «não somente guardar o adquirido da Igreja, mas pressentir a grandeza que, de facto, ainda lhe falta».

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ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DE PIERRE  TEILHARD  DE  CHARDIN  EM PORTUGAL

Grupos de Leitura Teilhard de Chardin,

R. Vila Catió, 397-6º esq. 1800-348 LISBOA

e-mail  teilhard.portugal@sapo.pt